Os séculos passam e as relações humanas não. Fala-se da evolução da espécie, porém não vejo nenhuma. Não acreditam? Vejamos, tomemos como exemplo a maior civilização que conhecemos, a romana. Como controlavam o povo? Com pão e circo. Atualmente o fazemos através de “vales de alimentação” e divertimento. Os romanos tinham o Coliseu, atualmente temos a televisão. Antes eram os gladiadores, hoje os jogadores de futebol. Deuses quando vencem desprezados quando perdem. Naquela época os imperadores decidiam pela vida ou morte do vencido, na nossa o “imperador” é a opinião pública. Métodos iguais, nomes diferentes. Na antiguidade existiam os reis aos que se pagava tributo, na atualidade existe o estado a que pagamos impostos. Qual é a diferença? Nenhuma. Há os que mandam e os que obedecem. Nada mudou. Tudo segue igual, somente que hoje o sistema é mais sofisticado. Continua imperando a lei do mais forte. Um juiz, amigo meu, me falou: “A lei é para todos, a justiça para quem pode pagá-la”. Alguma diferença? Nenhuma. Coliseu ou televisão, imperador ou estado, dominador ou forte. Alguma diferença? Nenhuma. Deve existir na essência do ser humano um gene que nos leva a aceitar ser dominado ou dominar. Não conheço muito de genética, mas da mesma forma que quando vemos fumaça sabemos que há fogo, posso dizer que há verdades irrefutáveis. Os seres humanos se dividem em duas categorias, os que abrem caminhos e os que seguem os passos de outros. Logicamente há subdivisões, mas isto não me corresponde classificar, deixo-o para os especialistas. Somente me atrevo a mencionar a fumaça e o fogo, os aspectos cinzentos que o estudem os especialistas. Quando tenhamos uma sociedade na qual os líderes, ganhem o mesmo que ganha o menor dos operários, quando os dominadores vivam iguais que os menos favorecidos, e a justiça seja igual para quem manda e para quem tem que obedecer; esse dia poderemos falar que temos evoluído como seres humanos. Utopia? Pode ser, mas acredito que o que nos anima a seguir vivendo é a esperança de que algum dia sejamos realmente iguais. Quando nossos gladiadores sejam recompensados pelas suas vitórias e não execrados nas derrotas e entendamos que é impossível ganhar sempre, talvez tenhamos uma sociedade melhor. Sempre recordo as primeiras palavras de meu primeiro treinador de rúgbi, o professor Gutiérrez. Ele nos ensinava que devíamos estar preparados tanto para a vitória como para a derrota. Quando vitoriosos devíamos entender a frustração dos vencidos, por isso devíamos ser humildes no triunfo, porque não sempre venceríamos e quando derrotados devíamos aceitar a derrota com dignidade já que chegaria nosso dia de vencer. O campeonato de futebol do mundo está terminando. Não interessa realmente quem ganhe ou perca, o importante é que não devemos esquecer que é um esporte e não uma guerra. O que interessa é jogá-lo e não guerreá-lo. Boa semana |