Eram três amigos, sempre faziam tudo juntos. Manoel, João e Miguel, os inseparáveis, assim eram chamados. Pareciam iguais e por isso chegavam até confundi-los, porque em realidade não sabiam quem era quem.
Porém, eu quem era quem, muito bem. Manoel era o mais alto, o mais forte e nunca se dava conta se tropeçava com alguém, era problema dos outros se correrem quando caminhava ou se movimentava, por isso era um atleta tão respeitado. João, o menor em tamanho, era muito inteligente, sem dúvida diria o mais inteligente de todo o colégio, sempre atuante, sempre discutindo sobre diversos temas, não se preocupava muito com a auto-estima de seus interlocutores. E, Miguel. Como faria para descrevê-lo?. Acredito que poderia dizer que era o “bispo” do grupo, ia a missa três vezes na semana, sempre dizia que sim quando alguém pedia ajuda, os conselhos de moral e boa conduta sempre estavam brotando de seus lábios, era obviamente um ser superior.
Estes três amigos tinham algo em comum além da amizade que os unia. Mas, primeiro tenho que lhes contar como era essa amizade. Era a amizade das compensações, a força, a inteligência e o espírito se complementando. Mas, faltava algo. Quando uma pessoa está junto à outra baseada na conveniência e não no amor, na necessidade e não na vontade, é como tentar juntar duas coisas sem cola. E o que faz que essa cola grude bem, é que o amor e a vontade sejam parte de sua fórmula.
Esperem, esperem! Não esqueci de dizer o que estes amigos tinham em comum. Era a forma na que cada um deles usava a força que possuía, um deles a física, outro o intelecto e o terceiro a espiritual. Manoel não percebia a força que tinha e por isso atropelava as pessoas ou seus companheiros, parecia que os ignorava ou os agredia, quando queria lhes fazer um carinho lhes dava uma palmada nas costas que quase fazia que os pulmões saíssem pela boca. João também não sabia como usar sua inteligência, ofendia seus amigos até quando os queria ajudar, dizendo: mas, como você não sabe isso? É muito fácil. E Miguel, que sempre dava bons conselhos, o fazia de uma forma que ofendia. Como não tens a força moral para te controlar e melhorar? Logicamente que estes três amigos, apesar de serem boas pessoas e, muito bem intencionadas, não eram muito populares na escola que freqüentavam. Porque ainda não tinham aprendido a lição do elefante que entrou numa loja de cristais. Se você é forte e poderoso deve tratar as pessoas como se fossem peças de cristal para que não se quebrem. A força física ou intelectual ou espiritual de uma pessoa é inversamente proporcional à delicadeza com que trata ao seu semelhante. Boa Semana.
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