Enfim, a Copa começou para o Brasil. Nossa seleção estreou contra a Croácia no mesmo padrão das outras seleções favoritas à conquista do título: sem nenhuma novidade tática ou atuação convincente. Obtivemos uma vitória magra, 1x0, graças ao brilho individual de Kaká e a excelente atuação do goleiro Dida e da zaga brasileira, que evitaram que o batuque do Olodum no Pelourinho, evocado por Galvão Bueno durante a transmissão da Globo, não desafinasse. Foi por um fio, mas passamos pelo primeiro adversário, jogando a “La Parreira”: sem emoção. Além de torcer por um desempenho melhor da seleção nos próximos jogos, vou torcer também para que os colegas da Globo e de outras emissoras que estão na Alemanha, baixem um pouco a bola e não queiram passar para os brasileiros que aqui ficaram, que nós somos os maiores, os donos da festa, os mais criativos, animados, simpáticos e que o mundo nos admira. Quanto exagero! Os gringos, na verdade, se divertem mais com a gente do que nos admiram. Pagar mico é com a gente mesmo. Essa é uma triste realidade. Felizmente agora com a sucessão de jogos, a imprensa não terá tempo para produzir aquelas matérias chatas, que terminam sempre louvando o Brasil e o brasileiro. Já não estava dando mais para agüentar o texto meloso do BBB Bial e o sorriso forçado da simpática Fátima Bernardes, desconfortável na função de ancora do enorme elenco de repórteres, que tentam tirar leite de pedra nas entrevistas que realizam com os jogadores. Daí a bolha do Ronaldo, o shampoo do cabelo do Ronaldinho, a fé do Zagallo, a oração predileta do Kaká e a salsicha alemã servida com a bandeirinha brasileira. Sem falar nas enfadonhas transmissões dos jogos com Galvão Bueno, Casagrande, Falcão e Arnaldo Regra Clara Coelho. Para encarar esse time, o telespectador só tem duas saídas: ou enche a cara de cerveja para acordar só no fim dos jogos ou tira o som da TV. Sem ter nenhuma pretensão em me transformar em um comentarista esportivo, durante a Copa vou ficar de olho na seleção, comentando modestamente seu desempenho nos jogos como um torcedor equilibrado. Afinal, eu sou botafoguense. Que bom que nós nascemos com dois olhos. Assim, eu poderei manter um ligado na Copa e o outro nos políticos, que conseguem se livrar de qualquer marcação cerrada. Estão enganados os que pensam que a classe política vai nos dar tréguas durante a Copa. Ela é incorrigível. Vai encontrar tempo entre um jogo e outro para produzir aberrações, como continuar empurrando com a barriga o julgamento do mensaleiro-mor, deputado José Janene, que só vai acontecer no final dessa legislatura, não permitir que seja instalada a CPI dos Sanguessugas da Saúde e aprovar, na calada da noite, mais um aumento de salário para os próprios, craques que são em legislar em causa própria. A atual classe política brasileira é capaz de tudo, especialmente quando surgem oportunidades como agora em que a população está em êxtase. Vamos torcer e comemorar as vitórias da nossa seleção sem perder o senso crítico, nesse ano tão importante para o país. Depois da Copa, virão as eleições: a verdadeira oportunidade de passarmos nosso país a limpo. Com o voto consciente, nós vamos marcar o gol que dará vitória à democracia e à ética, nos fazendo voltar a ter fé nas instituições e a resgatar o caráter nobre da atividade política. O Brasil tem que sair vitorioso principalmente nesse campo. RODA VIVA A candidata do PSOL á Presidência da República, senadora Heloisa Helena, bateu um bolão com os entrevistadores do programa Roda Viva. O melhor e mais fiel comentário sobre o programa, entre os poucos divulgados na mídia, foi o da colunista Tereza Cruvinel. “A candidata do PSOL defendeu pontos de vista que ajudarão os eleitores a decifrá-la. Agrada os cativos com sua violência verbal, tão contrastante com sua ternura nas relações pessoais. Defende o socialismo para um futuro distante. Presidente, faria reformas para tornar o capitalismo ma |