Rio, 21 de novembro de 2008
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Feliz 2010

E a crise chegou ao Brasil. Primeiro pela Bolsa de Valores, em seguida pelos preços das commodities e, já agora, pela redução das ofertas de emprego, com as grandes empresas cortando não apenas investimentos, mas também eventos de fim-de-ano. O ano de 2008 vai chegando ao fim com preços em alta (graças a elevação do dólar) e um grande medo que corre pela espinha dos empresários. Sem crédito e sem vendas, temem pelo pior em 2009. Com inflação e desemprego.

O governo central tem adotado diferentes medidas para amenizar a crise financeira. Liberou compulsório, adiou pagamento de impostos, reduziu IOF, criou linhas de crédito para montadoras, mas o temor persiste. E persiste por não se ter ainda uma idéia sobre o nível de desemprego a ser gerado pelas grandes empresas. É o medo do efeito dominó. Primeiro elas cortam eventos e serviços e já aí atingem as prestadoras que passam a não admitir e começam a demitir. Com esta sensação de risco, poucos são os que se aventuram em fazer compras a prazo de maior valor, comprometendo seus salários por mais tempo.

O setor agrícola já está seriamente comprometido. Faltam recursos para a compra de sementes e de equipamentos. Cai a área plantada e, portanto, a expectativa em torno da próxima safra. Pior é que também os preços no mercado internacional permanecem em queda. A compensação em torno da queda do valor do real frente ao dólar ajuda, mas não parece atender aos reclamos do produtor rural. Até porque, com o dólar em alta, sobem os preços dos defensivos agrícolas, comprometendo a expansão da área plantada.

Qual é a saída? Ao que tudo indica não vai ter jeito. Vamos ter que ir administrando os problemas a medida em que eles surgirem. O País não pode (ou não deve ) parar. Para isso é preciso que o governo continue atuando pontualmente. O brasileiro, ao que tudo indica, não irá às compras com a volúpia pretendida pelo governo. Assim, com 2009 comprometido, não restará outra alternativa senão a de desejarmos aos nossos amigos um Feliz 2010.

 
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