O espelho me acusa de sumiço. Em cinco minutos o dedo suja meus lábios com batom cor de sangue. Como quem sublinha em letras garrafais o segredo mais elementar da humanidade: somos todos feitos de carne. Somos todos VERMELHOS. Vermelho-vontade... Ferrari-rubi. Ao virar meu olhar para a esquerda, lembro da China comunista e me aquieto por cinco minutos. Os cinco minutos me são caros vermelho dor de coração. Vermelho que arranha a garganta num grito que me diz mulher. Cabelos castanhos que se querem ruivos. Uivos. O vinho é tinto, por favor. Vontade de me chamar Eva. Que pecado, se fosse cor, não teria dúvida. Lua cheia, intensa que só ela, como fêmea que menstrua e experimenta a gula de cerejas. Desejo que soa como arte marcial: na luta a faixa vermelha é a mais difícil de ser obtida. Difícil conter esse Vermelho que se catapora de significados.... Que Vermelho é moça arteira. E arte não entende de discrição. Por giselagold-www.giselagold.wordpress.com; Giselagold@terra.com.br |